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Quem ri por último, está livre


“Respeito muito minhas lágrimas, mas muito mais minha risada”

Caetano Veloso



Rosa Araujo

Sempre soube que um dia seu destino se cumpriria, só não pensava que fosse assim.

Ao chegar em casa, encontrou o marido inerte, debruçado sobre o prato de comida. Moscas voavam sobre a cabeça do homem. Ela calculou que ele deveria estar ali há algumas horas.

Primeiro, ficou parada olhando aquela cena. A que horas ele teria ido embora? Teria sentido dor? Toda a dor que ele havia proporcionado a ela durante aqueles anos todos de surras, palavras ferinas, ele havia sentido um pouco na hora da sua morte?

Depois, chorou lágrimas grossas, pesadas. O que faria agora? Como faria para sustentar a casa sozinha? Como compraria comida para as crianças? Meus Deus, as crianças! O choque que elas teriam quando voltassem da casa da avó e soubessem que o pai não estava mais com eles!

Olhou a sua volta, viu algumas marcas de faca na parede, das tentativas que o marido, bêbado, havia feito de tirar sua vida. Vislumbrou seu corpo, com as marcas dos hematomas da surra de ontem, ainda viva na sua memória. Mirou o corpo do marido morto na mesa.

Sorriu. Riu alto. Gargalhou.


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