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Happy hour dos infernos

Rosa Araújo

O Diabo, que estava tendo um dia de cão, decidiu que precisava espairecer. Afinal, fazer a contabilidade de todas as almas que transitavam pelo Inferno não era coisa para amadores.


Resolveu que iria subir ao mundo dos vivos para tomar uma cerveja com alguns amigos que tinha no Rio de Janeiro, mais precisamente na Lapa. Vestiu calça preta de linho, blusa de seda fúcsia, assumiu sua forma humana e se mandou para o bar.


Lá chegando, tomou umas cervejas, se acabou de sambar e paquerou bastante, afinal, ele tava solto. Sentia-se mais feliz que pinto no lixo. Estava nesse estado de graça, quando de repente, começaram uns gritos vindos dos fundos do salão.


Uma moça ensanguentada, caiu morta no chão. O assassino, até tentou fugir, mas, o Diabo, fulo da vida, correu atrás dele e disse:


- Só porque tu atrapalhou o meu momento de lazer, tu vai comigo pro inferno agora! Bora!

- E por acaso você é o Diabo para me carregar pra baixo, rapá?

O capeta, assumindo sua real forma, gritou:

- SOU, POR QUÊ? VAI ENCARAR?


O Diabo carregou o homem para o inferno por um buraco que ele abriu nessa hora, no fundo do bar. Dizem que quando quer fugir de suas obrigações infernais, sobe por essa passagem, toma cervejas e samba até o dia amanhecer, feliz, tal e qual pinto no lixo.

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