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Feira Elas Vozes Literárias



A Feira Elas Vozes Literárias aconteceu nos dias 20 e 21 de março de 2026, com oficinas, participação de escritoras, lançamento de livros, sarau e palestras no Teatro Arthur Azevedo em Campo Grande - RJ.


Os textos de Lélia Gonzalez e Gilka Machado estavam de arrepiar. As atrizes fizeram um lindo trabalho, com várias intervenções falando destas grandes escritoras e ao mesmo tempo sobre a condição da mulher.



E teve o lançamento do livro Um Rio de Mulheres do Coletivo LiteralmenteElas. É um importante coletivo de mulheres que escrevem e leem mulheres.



Amei a palestra de Dandara Suburbana, ela me tocou em vários momentos, ao falar sobre a dificuldade que nós mulheres negras encontramos para escrever, falou muito de uma história que é minha e é de muitas escritoras.



Fiquei impressionada com o magnetismo da Dandara e não falo em sentido figurado. Eu senti uma energia muito forte que vinha dela.


Ela trouxe um conceito muito interessante de que a escrita está ligada ao corpo e ao falar sobre corporeidade, exemplificou de forma espontânea movimentando o próprio corpo, isto é, desistiu de falar em pé e se sentou no palco para ficar mais perto da gente.




Adorei conhecer e abraçar a mãe Flávia Pinto, sua fala sobre ori, orientar e sobre seu trabalho com as mulheres que cumprem pena no presídio. Tive meu momento de tiete, a presenteando com meus livros e fiquei feliz quando ela falou que quando ganha um livro, ler e depois leva para o presídio. Que felicidade saber que Edu e Ventania voarão até mulheres que cumprem pena, sobretudo porque sou assistente social e trabalhei no Sistema Penitenciário numa época em que não acreditava que um dia seria escritora. A vida guarda muitos mistérios no movimento de Sankofa.


Teve uma roda de conversa com Patrícia Marins, Mãe Flávia Pinto, Ivonete, com a mediação de Jorgea Camargo, Carla Africana e Pituka Nirobe. Cada mulher trouxe uma fala poderosa sobre ser mulher negra, escritora e rompimento de ciclos de escassez.




Me senti muito represetada pela fala de Carla Africana, fundadora da Cia Banto e que faz um trabalho importante com o Jongo na Zona Oeste. Eu que me sinto uma espírita desconstruída, estudo Kardec, mas escrevi Ventania, um livro-oferenda para Iansã, adorei ouvir Carla Africana dizendo que é cristã e que respeita os Pretos Velhos. Ai, como é bom ser brasileira.



Adorei conhecer pessoalmente Sabine Mendes editora da NUA e que faz parte do time da Editora Kitembo. Conversamos sobre o meu livro Rasgaram o livro do Edu que pretendo republicar, bem como conversamos sobre Sonhos de Zâmbia, meu próximo lançamento.





Gosto muito desses espaços, os eventos literários têm sido espaços de sociabilidade, de trocas de conhecimentos, de vivências, de encontrar pessoas queridas que acreditam e se alimentam de literatura, mais do isso, acredito que as feiras literárias são espaço de construção, onde damos mais um passo na criação de eventos culturais e gratuitos, trata-se de democratizar a arte e fazer pontes entre os criadores e o público.


A maioria dos escritores nestes espaços, são independentes, não contam com grandes editoras, nem com a mídia e não estamos nas grandes livrarias. Ainda assim, o público costuma se encantar com os livros, já vi várias pessoas tocadas pelos meus, ela compraram e/ou passam a me seguir no Instagram. Ou seja, a gente só pode gostar daquilo que conhece e para o leitor conhecer o livro, ele precisa ver, tocar no livro e acessar o autor... Não preciso me alongar muito para chegarmos à conclusão sobre a importância da democratização da arte e da literatura.


Contudo, quero dar meu momento depoimento, não posso resistir. Meu marido e eu somos servidores públicos, ele é professor, eu sou assistente social, como lidamos com realidades muito duras, as feiras e saraus funcionam para gente como momento terapêutico, pois são territórios em que o público busca lazer, um momento de refazimento. Os serviços que prestamos de escrever, publicar e divulgar causam admiração e desejo. Pelos olhares e conversas ao longo dos anos, noto que para os leitores, esse contato também é terapêutico.


Dito tudo isso, quero parabenizar a todos que trabalharam para tornar a feira uma realidade e parabenizar especialmente a produtora Monica Castro por acreditar e fazer acontecer e a Dani Linhares pela curadoria que ajudou a agregar tantas mulheres importantes na literatura.




Até o próximo evento.

Com carinho,


Rosa Scarlett.

Rio, 22/03/26










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