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Estorvo


Fonte da imagem: https://www.amazon.com.br/Estorvo-Chico-Buarque/dp/8535905154


Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Cantor e compositor, publicou as peças Roda viva (1968), Calabar (1973), Gota d'água (1975) e Ópera do Malandro (1979), e a novela Fazenda modelo (1974). Estorvo foi seu primeiro romance, publicado em 1991.


estorvo, estorvar, exturbare, distúrbio, perturbação, torvação, turva, torvelinho, turbulência, turbilhão, trovão, trouble, trápola, atropelo, tropel, torpor, estupor, estropiar, estrupício, estrovenga, estorvo.


É com a epígrafe acima que Chico inicia seu romance, entregando ao leitor diversos termos em português, latim e inglês, todos relacionados ao campo semântico da palavra estorvo. Deixa claro ao leitor, em poucas linhas, o que esperar de sua obra. Uma história turbulenta, cheia de torvelinhos, de um protagonista de visão turva, muitas vezes estropiado, considerado por muitos um estrupício causador de estrovengas e atropelos.


Com esse fio condutor, já no primeiro capítulo Chico aborda o caráter onírico, nebuloso de seu protagonista, através da visão de um olho mágico de uma porta. A campainha toca, o olho mágico distorce o rosto atrás da porta e o narrador inicia sua jornada caótica, obsessiva, tortuosa. Como o livro é narrado em primeira pessoa, é a visão dele que teremos durante toda a obra.


Isso me chamou a atenção desde o início, pois narradores em primeira pessoa nem sempre são confiáveis, e este narrador em específico, pareceu-me ainda menos confiável. Por vários momentos ficamos em dúvida, tão atordoados como ele, que vaga pelo Rio de Janeiro, buscando ajuda de sua ex-esposa, sua mãe, sua irmã e de um antigo amigo, entre a cidade e a casa de campo da família, mostrando um rio antigo e movimentado.


Chico usa belíssimas metáforas e descrições e escreve um romance que toca e nos faz refletir. Fiquei várias vezes pensando em como as relações pessoais começam e terminam. Uma amizade ou um relacionamento às vezes iniciam de forma maravilhosa e, quando nos damos conta, já está tudo tão puído, roto, que não resta mais que o estorvo.


Onde erramos? O que esquecemos ou perdemos pelo caminho? Acompanhar a narrativa desse personagem que não tem nome, com seus entes queridos também anônimos, nos faz olhar para nós mesmos.


Esta obra, até agora, foi uma das melhores que já li da literatura nacional. Recomendo a leitura, mas aconselho ao leitor que se aventure de mente e coração abertos. Desta forma, poderá aproveitar ao máximo a genialidade do autor, que nos presenteou com uma obra belíssima.


Por: Rodrigo Monsores

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