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É assim que se perde a guerra do tempo.




Resenha de Rodrigo Monsores

Você já escreveu uma carta? Ou recebeu alguma que te marcou? A geração atual, que já nasceu em meio a uma tecnologia mais desenvolvida, em tempos de e-mails e mensagens instantâneas pode não saber bem o que significa isso.


Cartas, também chamadas de missivas ou epístolas, encurtam distâncias, aproximam mundos de pessoas que estão longe. E é a partir dessa premissa que os autores desenvolvem este belo romance epistolar.


Red é uma agente que viaja nos fios do tempo e espaço, em múltiplas realidades, alterando situações, eventos e acontecimentos, tudo para garantir o melhor futuro possível segundo os planos da Agência.


Em meio a mais uma missão de rotina, recebe uma carta com um aviso: “Queime antes de ler”. Escrita por Blue, uma agente da organização rival, chamada de Jardim, a carta põe Red em um dilema: para saber mais sobre Blue, Red deve esconder o fato de sua Agência, para não ser considerada traidora.


A melhor chance de vencer Blue e Jardim, é contra-atacando, então Red devolve na mesma moeda, enviando também uma carta a Blue.

Os autores nos presenteiam então, com um belo romance epistolar, cheio de metáforas e jogos de palavras muito inteligentes.


Essa mescla de ficção científica com romance epistolar torna esse livro único, cheio de sensibilidade, estimulando nossa imaginação e nos agraciando com beleza, algo cada vez mais subestimado nos tempos atuais, em que o consumo acaba sendo rápido e às vezes, inconsequente.


Este livro é para ser lido com calma, deve ser degustado, enquanto conhecemos e apreciamos dois mundos tão distintos e ao mesmo tempo tão próximos, de Red e Blue.


Fiquei com muitas reflexões em relação ao tempo e à realidade. Não pude deixar de pensar na imponderabilidade do tempo, que ele simplesmente é diferente do que acreditamos. É impossível pegar o agora, por exemplo, pois quando se pensa no agora, ele já passou.


O passado não existe mais, do futuro não sabemos nada e o agora? Já passou…


Ao mesmo tempo, o que temos pra viver é nossa singela vida, e Red e Blue me levaram a pensar também nos relacionamentos. Quanto de nós fica nos outros, quanto dos outros fica em nós? O fato é que mudamos com o tempo e mudamos também aos outros.


Este livro nos inspira a buscar o que temos de melhor para tornar o filamento de tempo e espaço em que vivemos o melhor possível, para nós e para os outros. Um belo trabalho dos autores, pois escrever a quatro mãos é muito, muito difícil mesmo.


Para finalizar, transcrevo uma dedicatória dos autores para os leitores:


“Finalmente, caro leitor, nós dedicamos este aqui a você, de verdade. Livros são cartas em garrafas, jogadas nas ondas do tempo, de uma pessoa que está tentando salvar o mundo para outra. Continuem lendo. Continuem escrevendo. Continuem lutando. Nós ainda estamos aqui.”.


Livro: É assim que se perde a guerra do tempo.

Autores: Amal El-Mothar e Max Gladstone


Vencedor dos prêmios Hugo, Nebula e Locus.

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